INDEPENDÊNCIA OU MORTE – A ESCOLHA É SUA

                Rentato Rainha (*)

“INDEPENDÊNCIA OU MORTE” –  A ESCOLHA É SUA           

                         Um dos objetivos mais perseguidos pelos jovens é a conquista da independência, que pode ser entendida como a capacidade de, através do próprio esforço, adquirir estabilidade profissional e financeira para manter um padrão de vida com conforto e dignidade.

                         Verifico que para alcançarem a independência, num mundo onde a competitividade se torna cada vez mais acirrada e cruel, os jovens são obrigados a dedicar grande parte de seu tempo aos estudos.

                         Não raras vezes crianças e adolescentes passam, diariamente, mais de 8 (oito) horas em sala de aula, sem contar o tempo despendido em estudos, leituras de livros, apostilas, jornais, revistas, enciclopédias, etc.

                         Tudo isso para que o jovem, quando chegar o momento de dar um rumo à sua vida profissional, possa estar preparado para  destacar-se  no selvagem e restrito mercado de trabalho.

                         Para obter a tão sonhada independência, muitos sacrificam sonhos, aptidões e predileções pessoais no intuito de seguirem um caminho mais sólido do ponto de vista econômico. A busca da segurança e da estabilidade cresce em importância  na medida em que se torna o desafio prioritário a ser alcançado no menor prazo possível.

                         Fiz essas considerações iniciais para refletir, junto com você leitor, o quanto o uso e o abuso de drogas são totalmente opostos ao conceito de independência idealizado pelos jovens.

                         É que as drogas, além de destruírem a saúde e a vida dos usuários, para não dizer das nefastas conseqüências que causam nas famílias e na sociedade, ainda geram, em quem as consome, a dependência e a tolerância.

                         A dependência nasce do uso contínuo e periódico de determinada droga, ou de várias delas, e pode ser de natureza física e ou psicológica. Usando uma linguagem simples e direta, a dependência faz com que o usuário se torne um adicto (escravo) da droga, não sendo capaz de resistir à sua sedução, mesmo quando ela começa a lhe destruir a saúde física e mental e lhe causar fortes e severos sofrimentos.

                         A tolerância é o fenômeno provocado por algumas drogas que obriga o dependente a, de quando em quando, aumentar a dose consumida para sentir os mesmos efeitos que obtinha com aquela quantidade inicial pequena. Tal situação, por exigir um consumo cada vez maior de droga, tem sido responsável pela morte de muitos jovens (overdose).

                         Ora, se o jovem procura, com o máximo de esforço e  o quanto antes a sua independência (sinônimo de liberdade e autonomia), é no mínimo contraditório, para não usar a expressão desinteligente, que aceite o convite para usar drogas. É que esse uso, na grande maioria das vezes, vai tornar o usuário um escravo (adicto), isto é, um DEPENDENTE.

                         Ao ceder ao apelo para usar drogas, o jovem, que muitas vezes não gosta e não aceita ser dependente (financeiramente) nem de seus pais, passa a abrir mão de sua liberdade e de seus sonhos, entregando-os  para o traficante, que vai explorá-lo até as últimas conseqüências e sem nenhuma piedade.

                 * Renato Rainha é Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, pós-graduado em Ciências Políticas, pós-graduado em Direito Processual e atualmente é aluno  do Curso de Mestrado em Direito e Políticas Públicas do UniCEUB.

QUANDO FOI QUE PERDEMOS NOSSA PAZ?

                               Renato Rainha (*)

                              Ainda me lembro quando cheguei ao Distrito Federal, mais precisamente em Taguatinga, no início dos anos 70,  como a vida era tranquila e segura.

                               Podíamos ficar na rua até à noitinha jogando “golzinho’, brincando de “mamãe da rua”, de “betebol”, ou, ainda, conversando com um grupo de amigos debaixo de alguma árvore frondosa.

                              Nos finais de semana ir ao cinema era de rigor. Podíamos ir e voltar à pé, mesmo se assistíssemos à última sessão. Nossa maior travessura era apertar a campainha de alguma casa e sair correndo ou pregar um bom e inocente susto nos transeuntes.

                              Na calçada de nossas casas os pais conversavam com os amigos sentados em gostosas espreguiçadeiras ou em banquinhos artesanais de madeira.
Violência e crimes não ocorriam ou, se ocorriam, estavam sempre muito longe de nós. Parece que até os bandidos tinham escrúpulos e limites.

                               Hoje não temos mais paz. Estamos, a todo o momento, independentemente da hora e do lugar, com a sensação de que vamos ser vítimas de algum crime. Nossas casas parecem verdadeiros presídios, com grades, cercas elétricas e alarmes. Ninguém tem coragem de tirar o carro da concessionária antes de contratar um seguro. Nossos filhos ficam dentro dos muros das escolas até que possamos buscá-los. Não temos mais coragem de sentar num banco da praça para jogar conversa fora.

                              Os meios de comunicação (TVs, revistas, jornais, etc.) quase que só nos trazem notícias de guerra, crimes, destruição, desgraça, pânico, etc., além de fazerem apologia ao sexo livre, ao uso de drogas, à destruição das famílias, à corrupção e a tantos deserviços para as nossas vidas.

                              As pessoas não têm mais tempo para nada, a não ser para o trabalho, que deixou de ser realizado com prazer e passou a ser exercido com insana e estressante competitividade, uma vez que o “ter” (coisas materiais) tornou-se muito mais valioso que o “ser” (honesto, respeitado, amigo, amável, etc). Deixa-se de brincar com um filho, de conversar com um amigo, de praticar esporte, de assistir um bom teatro, de andar pelos parques, de ir às feiras, etc, para que o tempo seja transformado inteiramente em meio de ganhar dinheiro, que será usado para que coisas e mais coisas sejam adquiridas e acumuladas, as quais, na sua maioria, ficam esquecidas em pouco tempo em um canto qualquer de nossas casas sem nenhuma utilidade.

                               A verdadeira felicidade está nas coisas simples e naturais. Enquanto nós não tivermos consciência disso o mundo se tornará cada vez mais difícil e complicado. Resgatar a paz é resgatar o respeito pelas pessoas e pela natureza, é cultivar os nobres sentimentos e usar o nosso tempo para fazer o bem, para nós mesmos e para os nossos semelhantes.

                               Matéria publicada no Jornal do Planalto nº39 ano IV – jan/05

                            * Renato Rainha é Conselheiro do Tribunal de Contas do Distrito Federal, pós-graduado em Ciências Políticas, pós-graduado  em Direito Processual  e atualmente é  aluno especial do Curso de Mestrado em Direito e Políticas Públicas do UniCEUB.

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